Por Dr. Carlos Motta

Se você apresenta dor na virilha (região inguinal), bolsa escrotal ou testículo, isso pode ser a consequência de diversas doenças. A informação a seguir tem por objetivo fornecer informações básicas sobre o tema para auxiliar o paciente a discutir com o urologista.

O que é a dor testicular ou inguinal crônica?

Uma porcentagem reduzida dos homens que foram operados para o tratamento de hérnias, doenças renais, ou que sofreram traumatismos escrotais ou pélvicos, que apresentam infecções recorrentes no testículo ou no epidídimo, evoluem com dor crônica no testículo ou na região inguinal. Essa dor pode variar de uma irritação leve até uma dor grave e debilitante que reduz muito a qualidade de vida do paciente.

O que causa a dor testicular ou inguinal crônica?

Os motivos ainda não estão bem esclarecidos. Uma teoria é que as fibras nervosas próximas ao cordão espermático apresentariam, por algum motivo, um limiar de estimulação muito reduzido. Isso pode ser causado por irritação ou inflamação próxima a essas fibras nervosas. Por isso, o tratamento inicial é conservador (com remédios), já que uma porcentagem importante desses pacientes tem melhora espontânea após um período que varia de meses a anos. O objetivo inicial é dar conforto e melhorar a qualidade de vida com baixo risco de efeitos colaterais.  Mas caso o paciente apresente uma dor mais intensa, que dificulta as atividades cotidianas, pode-se indicar o tratamento cirúrgico precocemente. Essa estimulação nervosa exacerbada pode criar dores extraordinárias que não podem ser definidas como qualquer alteração estrutural aos métodos de imagem (quase sempre a ultrassonografia escrotal desses pacientes é normal).

Como se trata a dor testicular ou inguinal crônica?

O tratamento inicial da dor testicular ou inguinal crônica é geralmente conservador. Faz-se uma investigação urológica completa para se certificar de que não há qualquer outro fator contribuindo para essa dor. Caso essa investigação não revele qualquer doença, podem-se usar anti-inflamatórios, antibióticos, acupuntura ou exercícios de reabilitação do assoalho pélvico. Se esses tratamentos não obtiverem sucesso, há tratamentos mais invasivos para aliviar a dor:

1) Bloqueio do cordão espermático

Consiste na injeção de agentes anestésicos ao longo do cordão espermático para avaliar se a inativação das fibras nervosas resulta em alívio da dor. Se houver melhora, então é provável que a dor tenha origem neurológica por fibras nervosas hipersensíveis. O bloqueio leva ao alívio apenas temporário (por algumas horas). Os pacientes que respondem ao bloqueio do cordão espermático (mesmo que transitoriamente) são bons candidatos à denervação testicular microcirúrgica, que costuma resultar em alívio permanente.

2) Denervação Testicular Microcirúrgica

A denervação testicular microcirúrgica é realizada no centro cirúrgico, com uma pequena incisão na região inguinal (virilha) semelhante à utilizada para a correção de uma hérnia. O objetivo da cirurgia é inutilizar os nervos que passam ao longo do cordão inguinal, que contém artérias, nervos, vasos linfáticos e o ducto deferente. Com o uso do microscópio cirúrgico, é possível isolar todos os componentes e preservar tanto a artéria testicular quanto os ductos linfáticos. Os resultados são excelentes e 90% dos pacientes apresentam melhora da dor de 70% a 100%.

3) Reversão de Vasectomia Microcirúrgica

Alguns homens vasectomizados desenvolvem dor inguinal ou testicular crônica. Essa dor pode variar de uma leve irritação até uma dor debilitante que requer o uso crônico de analgésicos. Em alguns desses homens, a reversão da vasectomia pode curar ou melhorar a dor, o que ocorre em até 90% dos pacientes.

Saiba mais sobre a reversão de vasectomia.

4) Varicocelectomia Microcirúrgica

A eficácia da cirurgia para correção da varicocele em relação à cura da dor testicular crônica ainda é controversa. A incidência de dor em homens com varicocele é de 2-10%. A queixa mais comum desses pacientes é uma dor que piora com o esforço físico. O tratamento inicial não é cirúrgico, mas sim o uso de suspensório escrotal, anti-inflamatórios e limitação à atividade física. Nos pacientes em que o tratamento inicial não é bem sucedido, pode-se tentar a cirurgia, que levará à resolução da dor em 48-86% dos pacientes.

Saiba mais sobre a varicocele

 

Fontes:

http://healthcare.utah.edu/menshealth/conditions/testicular-pain.php

http://urology.ufl.edu/patient-care/testicular-pain-male-infertility/chronic-testicular-pain/

http://www.uhmc.sunysb.edu/urology/male_infertility/MICROSURGICAL_TREATMENT_OF_CHRONIC_TESTICULAR_PAIN.html