Por Dr. Carlos Motta

O sistema genitourinário masculino é responsável pela produção, maturação e transporte dos espermatozoides. Os espermatozoides são produzidos nos testículos e são então transportados aos epidídimos e daí aos ductos deferentes. Os ductos deferentes passam pela virilha e então penetram na pelve para terminar nos ductos ejaculatórios. Os espermatozoides passam dos ductos ejaculatórios à uretra por onde são transportados através do pênis durante a ejaculação. Cada componente do sistema genitourinário é altamente especializado.

Anormalidades do trato gênito-urinário masculino podem se manifestar como tumorações escrotais. Essas tumorações podem ter pouca importância clínica ou podem representar doenças potencialmente fatais. É necessário realizar uma investigação diagnóstica para determinar a natureza da tumoração e qual o melhor tratamento. O câncer de testículo, por exemplo, é causa de grande preocupação e sempre necessita de intervenção cirúrgica com alguma urgência (apesar de não ser uma emergência médica). Outras tumorações, como a varicocele, podem causar dor ou danificar a função reprodutiva. Já as espermatoceles são tumorações benignas que geralmente não causam dor e que surgem próximo ao testículo. Por isso é importante que os homens procurem um urologista quando encontrarem qualquer anormalidade no autoexame testicular. A informação a seguir tem o objetivo de auxiliar a conversar com um urologista sobre espermatoceles.

O que são as espermatoceles?
As espermatoceles, também denominadas cistos de epidídimo, são cistos indolores e benignos preenchidos por líquido proveniente do epidídimo. Elas geralmente se localizam próximo ao topo ou à porção posterior do testículo. As espermatoceles são lesões lisas, preenchidas por um líquido turvo que geralmente contém espermatozoides. Com o passar do tempo, o cisto pode se estabilizar ou crescer. Se a lesão incomodar pelas dimensões elevadas ou por causar dor, existem tratamentos para corrigir o problema. As espermatoceles são mais um aborrecimento que uma doença grave.

O que pode causar as espermatoceles?
A causa exata das espermatoceles é desconhecida. Se por um lado as espermatoceles podem ser o resultado de um traumatismo ou de inflamação, essas condições não são necessárias o desenvolvimento da espermatocele. Outra teoria é que os cistos surgem por consequência de obstrução dos ductos do epidídimo. Além disso, foi sugerido que a exposição intrauterina ao dietilbestrol, uma forma sintética de estrogênio, seria outra causa possível.

Qual a incidência das espermatoceles?
A incidência exata das espermatoceles é desconhecida, mas cerca de 30% dos homens apresentam espermatoceles pequenas. As lesões maiores são muito menos comuns. A incidência aumenta com a idade e a maioria dos diagnósticos é feita na quinta e sexta décadas de vida.  Não se conhece nenhuma predisposição racial ou étnica para desenvolver essa lesão.

Quais são os sintomas da espermatocele?
Homens com espermatoceles não costumam apresentar sintomas. Quando, contudo, os sintomas estão presentes, eles podem incluir sensação de peso na bolsa escrotal e desconforto. Dor importante não costuma acompanhar o quadro.

Como se diagnosticam as espermatoceles?
As espermatoceles são muitas vezes identificadas quando o homem faz o autoexame testicular ou quando ele é examinado por um médico. Pode-se utilizar a transiluminação, que indicará que a massa não é um tumor sólido, mas sim um cisto cheio de líquido. A ultrassonografia ainda é um dos métodos mais fidedignos de se confirmar o diagnóstico, além de ser rápida, não invasiva e relativamente barata.

Como se tratam as espermatoceles?
Já que as espermatoceles não costumam causar desconforto e geralmente passam despercebidas pelos pacientes, o tratamento RARAMENTE é necessário. O tratamento para as espermatoceles não acompanhadas de dor é a observação. Apesar disto, alguns pacientes apresentam sintomas importantes, como dor ou incômodo pelas grandes dimensões da lesão. Para esses pacientes, as opções terapêuticas incluem:

Tratamento clínico (com remédios): Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser utilizados para aliviar a dor associada às espermatoceles sintomáticas. Não há nenhum outro remédio indicado para o tratamento das espermatoceles.

Tratamentos minimamente invasivos: A aspiração e a escleroterapia são dois tratamentos menos utilizados. A aspiração envolve a punção da espermatocele com uma agulha e a remoção de seu conteúdo com uma seringa. A escleroterapia é feita após a aspiração, e consiste na injeção de um agente irritante diretamente no interior da espermatocele, o que provocaria um processo que resulta em fibrose, o que reduz o espaço do cisto e teoricamente poderia evitar que o cisto se encha novamente. Apesar de haver relatos que descrevem a eficácia e a tolerabilidade desses tratamentos, eles não costumam ser recomendados. A recorrência da espermatocele é comum nesses dois tratamentos. Quando se realiza a escleroterapia, é comum haver epididimite e dor. Além disso, esses métodos podem resultar em redução da fertilidade em homens que ainda desejam ter filhos.

Cirurgia: A espermatocelectomia é o tratamento mais recomendado para as espermatoceles sintomáticas e envolve a remoção cirúrgica da espermatocele do tecido adjacente. O objetivo do tratamento cirúrgico é a remoção da espermatocele com preservação da anatomia do trato reprodutor masculino. Esse procedimento costuma ser realizado em caráter ambulatorial. Em alguns pacientes que não desejam ter filhos, o epidídimo pode ser removido para evitar a recorrência da lesão.

O que pode ser esperado após o tratamento cirúrgico?
Os pacientes geralmente recebem alta com um curativo e vestindo um supositório escrotal (suporte atlético). O médico pode orientar o paciente a aplicar compressas frias no local para reduzir o edema (inchaço). Geralmente é necessário o uso de analgésicos por um ou dois dias após a cirurgia. Os pacientes podem tomar banho dois dias após a cirurgia e uma revisão é marcada uma a três semanas após a cirurgia. O supositório escrotal deve ser utilizado por 7-14 dias. O edema da bolsa escrotal é comum e pode se manter por 21 dias.

As complicações desta cirurgia não são comuns e incluem febre, infecção, hemorragia, (hematoma escrotal), recorrência e dor persistente. A recorrência ocorre em 10-25% dos casos. Além disso, pode haver obstrução do epidídimo, o que pode resultar em infertilidade ou subfertilidade. Desta forma, a cirurgia deve ser evitada em homens que ainda desejam ter filhos.

 

Perguntas frequentes:

 

A espermatocele leva ao câncer de testículo?

As espermatoceles são lesões benignas do epidídimo. Elas não se originam dos testículos. Os pacientes com espermatoceles não apresentam risco elevado de desenvolver câncer no testículo, quando comparados aos outros homens.

Há algum remédio que possa curar a espermatocele ou pelo menos prevenir o desenvolvimento de novas lesões?

Os remédios existentes podem apenas tratar o desconforto ou a dor associados às espermatoceles. Nenhum remédio pode curar ou prevenir as espermatoceles.

Com que frequência eu devo fazer o autoexame testicular?

O autoexame deve ser feito pelo menos uma vez por mês. Procure um urologista para aprender a técnica adequada. Se você detectar qualquer alteração suspeita, como um caroço ou aumento do volume do testículo, procure um urologista imediatamente.

 

Onde posso obter mais informações?

Sociedade Brasileira de Urologia

Uro online

Adaptado e traduzido de

http://www.urologyhealth.org/urology/index.cfm?article=117